Trolleybus - Bondes - Ferrovias


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SOBRE O SITE

Idealizei este site com o objetivo de divulgar o contato, durante a minha vida, com estas máquinas maravilhosas, por intermédio de ilustrações, fotos, textos etc. A idéia é antiga e foi amadurecendo por vários anos até se transformar nesta nova opção na internet para quem é aficionado por bondes, trolleybus e ferrovias. Um dos destaques deste site são as  ilustrações coloridas em 2D feitas por mim, baseadas em fotografias de veículos, colhidas na internet. Pretendo gradativamente aumentar o conteúdo deste site, inclusive, aceitando colaborações de textos e imagens. Obrigado pela visita! 

Sylvio Prestes - Teresópolis, RJ

UM POUCO DA MINHA HISTÓRIA

No início da década de sessenta, eu morava no Rio Comprido, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, onde nasci. Gostava de ver pelas ruas aquelas maravilhas sobre trilhos, pintadas de verde musgo com frisos brancos. Consigo lembrar perfeitamente dos detalhes. Tinham bondes de dois ou quatro eixos e alguns puxavam reboques. Carregavam no teto e na dianteira, painéis com anúncios publicitários. O condutor, vestindo terno azul marinho e quepe, fazia a cobrança pendurado nos estribos, carregando um leque de cédulas entre os dedos. 

Minha mãe foi quem me “iniciou” nessa mania... Era comum pegarmos o bonde “Aguiar - Fábrica” na rua Barão de Itapagipe para passearmos junto com minha irmã, na Praça Saens Pena. Também passeamos muito no Alto da Boa Vista e em Santa Teresa.
Meu pai também me levava para passear de bonde até o centro da cidade.

Em 1965, entrei para o Jardim de Infância do Instituto de Educação, no Rio de Janeiro, e meu primeiro desenho feito em classe foi de um bonde fechado da CTC (Companhia de Transportes Coletivos), que fazia a linha do Alto da Boa Vista, apelidado de “Rita Pavone” em homenagem a cantora italiana que fazia muito sucesso na época. Minha mãe guarda este desenho até hoje e recentemente o escaneei para ter uma cópia.

O bonde "Rita Pavone" na minha visão, aos cinco anos de idade...

... e hoje, quarenta anos depois.


Durante o “extermínio” dos bondes no Rio de Janeiro, muitos reboques foram parar em algumas praças públicas para servirem de play-ground. Minha mãe me levava para brincar de motorneiro e condutor num reboque estacionado na Praça Del Vecchio, no Rio Comprido. Lembro que até em Teresópolis, RJ, havia dois! Um na Praça do Alto e outro no jardim da sede da prefeitura municipal.

Quando eu ia com meus pais e minha irmã visitar uma tia em Niterói, saltávamos da barca e pegávamos um trolleybus Vetra na Praça Araribóia para a Praia de Icaraí, onde ela morava. Lembro que eles eram mal conservados e cheios de ferrugem devido à maresia contrastando com a cor creme da carroceria. Chegando lá, minha diversão era espiar pela janela do edifício os trolleybus passando de um lado para o outro em frente a Pedra de Itapuca. O que me chamava mais a atenção eram as hélices, dos exaustores instalados no teto. Ficava contando quais as que estavam girando ou não.

Em compensação, os trolleybus Fiat cariocas eram impecáveis! Lembro do sinal de parada, acionado por botões instalados na coluna com som semelhante a campainha de telefone antigo. Anos mais tarde, muitos deles foram convertidos para motor diesel e puseram um na linha 219, Usina - Praça 15. Nessa época eu morava na Muda e pegava o "transplantado" para ir ao colégio. O motor era fraco em relação ao peso da carroceria fazendo o ônibus se "arrastar" pelo caminho.

Com o fim dos bondes, exceto os de Santa Teresa, os passeios continuaram, mas por outros trilhos. Em 1966 meu pai me deu de aniversário um trem elétrico da ATMA. Era um kit básico com poucos trilhos mas dava para brincar. Ou melhor, meu pai é quem brincava... Eu apenas assistia e ajudava a por os vagões nos trilhos. Uma certa ocasião eu mesmo montei e brinquei sozinho sem problemas. Meu pai quando chegou em casa teve a maior surpresa mas não brigou comigo! Aos poucos ele foi comprando mais trilhos e vagões. Ainda guardo todo este material comigo, em perfeitas condições de uso.

A curiosidade sobre trens passou a ser cada vez maior até que numa manhã, minha mãe me levou para passear no trem de madeira da Leopoldina. Fomos até Caxias e voltamos no mesmo trem. Até no plano inclinado do Colégio Regina Coelli, na Usina, nós passeamos! 

Na adolescência, acampei muito com os colegas de colégio. A maior loucura foi ter ido duas vezes a Campos do Jordão de trem! A primeira viagem foi em 1975. Saímos da gare D. Pedro II a bordo do Trem Húngaro Ganz-Mavag até Pindamonhangaba. De lá, subimos a serra numa automotriz até a estação de Emílio Ribas. Acampamos perto do Morro do Elefante e andávamos pela cidade nos bondes MAN, amarelos e vermelhos. No ano seguinte, repetimos a dose mas dessa vez fomos até Pindamonhangama nos carros de aço Budd.

Viajamos, várias vezes à Mangaratiba no trem "macaquinho". Esse apelido se devia ao fato dos carros de madeira serem pintados de marrom e pularem muito. Era uma viagem muito bonita sendo que, em alguns trechos, a linha passava a poucos metros da praia. Um de nossos "passatempos" era colocar fichas de telefone sobre os trilhos para serem esmagadas pelas rodas dos trens de minério que usavam o mesmo ramal. Numa certa ocasião fomos de carona numa locomotiva diesel-elétrica de Mangaratiba até Filgueiras.

E o tempo passou... Contra a vontade popular acabaram com quase todos os bondes, sobrevivendo apenas os sistemas de Santa Teresa, no Rio de Janeiro e o de Campos do Jordão. Existem linhas turísticas em Santos, Campinas, São Paulo e Belém do Pará. Com os trolleybus aconteceu a mesma coisa, restando apenas os sistemas de Santos, e São Paulo. Em relação aos trens de passageiros, praticamente todas as linhas de média e longa distância foram suprimidas. Um caso raro é a linha Belo Horizonte-Vitória, operada pela Companhia Vale do Rio Doce. Somente os trens de subúrbio e os metrôs continuaram funcionando e estão em expansão. Existem algumas linhas de trens turísticos como a de Pindamonhangaba a Campos do Jordão e projetos de implantação em outros municípios. Pelo menos existem pessoas com espírito de preservação e que querem manter viva a história dos transportes públicos no nosso país.


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Produção: É Isso Aí!